Cancelamento expõe problemas de planejamento e provoca questionamentos sobre burocracia, estrutura e responsabilidade.
A confirmação do cancelamento da Expovel 2026, em Porto Velho, caiu como uma bomba para produtores, empresários, trabalhadores e para o público que aguardava a realização da feira agropecuária, prevista para setembro no Parque dos Tanques.
A organização havia anunciado uma programação de peso, com nomes como Ana Castela, Matheus & Kauan e Zé Neto & Cristiano. O evento era apresentado como uma das grandes atrações do calendário agropecuário e cultural de Rondônia.
Mas o que aconteceu?
Segundo o coordenador da Expovel 2026, Sérgio Henrique Souza, o processo para viabilizar o evento foi protocolado em 6 de maio, mas enfrentou demora na tramitação e alterações solicitadas durante o andamento. A organização atribui o cancelamento a entraves burocráticos e falta de documentação.
E é justamente aí que começa a discussão que interessa à população.
COMO UM EVENTO PREVISTO HÁ MESES CHEGA ÀS VÉSPERAS DE SUA REALIZAÇÃO SEM TODAS AS CONDIÇÕES GARANTIDAS?
Essa é uma pergunta que precisa ser respondida com transparência.
Porque uma feira desse porte não envolve apenas shows.
Envolve produtores rurais, expositores, comerciantes, trabalhadores temporários, fornecedores, artistas, empresas, hotéis, restaurantes, transporte e toda uma cadeia econômica que se prepara antecipadamente.
Quando um evento dessa dimensão é cancelado, não desaparece apenas uma programação de entretenimento.
Desaparecem contratos, vendas, oportunidades e expectativas de quem já havia se organizado para trabalhar.
BUROCRACIA OU FALTA DE PLANEJAMENTO?
Se o problema realmente foi documental e burocrático, a sociedade precisa saber onde ocorreu a falha.
Houve atraso?
Faltou planejamento?
Faltou diálogo?
Quem deveria acompanhar o processo?
Havia tempo suficiente para solucionar as pendências?
E, principalmente:
QUEM SERÁ RESPONSABILIZADO PELOS PREJUÍZOS?
Não se trata de procurar culpados antecipadamente. Trata-se de cobrar responsabilidade administrativa e transparência.
Porto Velho precisa parar de tratar grandes eventos como se fossem acontecimentos improvisados.
A capital de Rondônia precisa de planejamento profissional, calendário, estrutura e segurança jurídica para que investidores e empresários tenham confiança.
A EXPÔVEL É MAIOR QUE UM SHOW
A Expovel representa uma vitrine para o agronegócio e movimenta diversos setores da economia.
Por isso, seu cancelamento não deveria ser tratado apenas como uma notícia sobre entretenimento.
É uma questão econômica.
É uma questão de planejamento.
É uma questão de gestão.
E é também uma questão de respeito com quem acreditou no evento e investiu tempo e dinheiro para participar.
O cidadão tem o direito de perguntar.
O que deu errado?
Quem sabia dos problemas?
Quando eles foram identificados?
Por que não foram solucionados a tempo?
E uma pergunta ainda mais importante:
O QUE SERÁ FEITO PARA QUE ISSO NÃO ACONTEÇA NOVAMENTE?
Rondônia não pode continuar perdendo oportunidades por falta de planejamento.
O Estado precisa aprender a transformar seu potencial em resultados — e isso exige menos improviso e mais gestão.
A Expovel 2026 foi cancelada. Mas as perguntas que ficaram não podem ser canceladas.
A população merece respostas.
Por Valéria Souza — Jornalista


