Igreja deveria ser lugar de amor, misericórdia, acolhimento e transformação. Mas, em alguns ambientes, o que deveria ser espiritual acaba sendo contaminado por ego, vaidade, favoritismo e panelinhas.

Há quem receba destaque pelo sobrenome, pela condição financeira ou simplesmente por pertencer ao grupo certo. Enquanto isso, pessoas simples e comprometidas com o serviço são deixadas de lado porque não fazem parte da “panelinha”.
Mas fica a pergunta:
QUANDO O SOBRENOME PASSOU A VALER MAIS QUE O CARÁTER?
Cargo não deveria ser prêmio por amizade, influência ou dinheiro.
Servir não é status. É responsabilidade.
Mais preocupante ainda é quando aqueles que ocupam posições de destaque passam a agir como juízes: apontam o erro de um, comentam a vida do outro, observam quem tem dinheiro, quem prosperou, quem caiu e quem merece ou não estar em determinado lugar.
Conhecem os defeitos de todos, mas esquecem de olhar para dentro.
Espiritualidade não se mede por cargo, roupa, dinheiro ou sobrenome.
Mede-se pelo caráter, pela humildade, pela misericórdia e pelo amor ao próximo.
Não adianta falar de amor e praticar exclusão.
Não adianta conhecer a Bíblia e não conhecer a misericórdia.
Não adianta ocupar o primeiro lugar dentro da igreja e tratar o próximo como se fosse inferior.
COMUNHÃO É ACOLHER. PANELINHA É EXCLUIR.
A igreja não deveria ser uma vitrine para os mais ricos, conhecidos ou influentes.
Deveria ser um lugar onde o caráter valesse mais que a aparência.
Porque cargo passa. Dinheiro passa. Sobrenome passa. Aplausos passam.
Mas o caráter permanece.
Talvez a pergunta não seja:
QUANDO O EGO FALA MAIS ALTO
Talvez a pergunta não seja quem está ocupando os lugares de destaque.
Talvez seja:
“POR QUE PRECISAMOS TANTO SER VISTOS, RECONHECIDOS E SUPERIORES AOS OUTROS?”
Porque quem realmente serve não precisa diminuir ninguém para aparecer.
Não precisa de sobrenome para ser respeitado.
Não precisa de dinheiro para ser importante.
Não precisa fazer parte de uma panelinha para ter valor.
Quem tem um coração verdadeiramente transformado entende que, diante de Deus, ninguém é maior por causa da posição que ocupa.
O verdadeiro teste da espiritualidade não acontece no púlpito, no microfone ou no lugar de destaque.
Acontece quando ninguém está olhando.
É quando encontramos alguém que precisa de ajuda.
É quando podemos escolher julgar ou acolher.
É quando descobrimos um erro de alguém e decidimos expor ou preservar.
É quando temos poder para excluir, mas escolhemos amar.
Porque aparência religiosa pode impressionar pessoas. Mas caráter é aquilo que revela quem realmente somos.
Por Valéria Souza — Jornalista


