Há uma ilusão que se repete a cada eleição: a de que um novo nome será suficiente para mudar uma velha realidade.
Não será.
O problema de Rondônia não é a falta de candidatos. É a escassez de compromisso que permanece depois que as urnas são fechadas.
Enquanto a política se ocupa da próxima eleição, milhares de rondonienses continuam ocupados com problemas muito mais urgentes: filas na saúde, estradas que limitam o desenvolvimento, municípios que lutam para crescer e famílias que esperam serviços públicos compatíveis com os impostos que pagam.
O cidadão já aprendeu a reconhecer discursos emocionados. O que ele espera agora são resultados.
Rondônia é um estado rico em produção, trabalho e potencial humano. Mas riqueza sem gestão gera desperdício. Desenvolvimento sem planejamento gera desigualdade. E poder sem responsabilidade produz apenas decepção.
Talvez o maior erro da política moderna tenha sido transformar o debate público em uma disputa de narrativas, quando deveria ser uma prestação permanente de contas.
A população não precisa de representantes que saibam apenas convencer. Precisa de líderes que saibam resolver.
Mais importante do que perguntar “quem será o próximo governador?” é perguntar:
Qual projeto será capaz de melhorar, de forma concreta, a vida de quem acorda cedo para trabalhar?
Chegou o momento de o eleitor deixar de admirar discursos e começar a medir resultados.
Quem ocupa um cargo público administra recursos que pertencem à população, não um patrimônio político pessoal. Mandatos passam. As consequências das decisões permanecem.
A verdadeira transformação de Rondônia não acontecerá quando surgir um político perfeito. Acontecerá quando a sociedade deixar claro que não aceita mais promessas sem execução, marketing sem entrega e discursos que substituem trabalho.
Governar não é vencer eleições.
É honrar a confiança de quem acreditou.
E a democracia só se fortalece quando o voto deixa de ser um ato de esperança e passa a ser um instrumento permanente de cobrança.
Rondônia não precisa de mais promessas. Precisa de mais responsabilidade.
✍️ Valéria Souza
Jornalista


