Por Vanessa da Cunha – Psicóloga
Neste Dia do Psicólogo, celebrado em 27 de agosto, é impossível falar sobre a importância da Psicologia sem lembrar de tantas pessoas e famílias que encontram, no acompanhamento psicológico, um espaço de acolhimento, compreensão e possibilidades.
Entre os diversos campos de atuação da Psicologia, está o acompanhamento de pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA), uma condição do neurodesenvolvimento que apresenta diferentes características, necessidades e formas de manifestação.
Falar sobre autismo é, antes de tudo, compreender que não existe uma única maneira de ser autista. O espectro é amplo e cada pessoa possui sua própria história, suas potencialidades, seus desafios, sua maneira de se comunicar, de perceber o mundo e de estabelecer relações.
Por isso, olhar para o TEA exige muito mais do que enxergar um diagnóstico. É necessário enxergar a pessoa que existe por trás dele.
A Psicologia exerce papel importante nesse processo. O acompanhamento psicológico pode contribuir para o desenvolvimento de habilidades socioemocionais, comunicação, autonomia, reconhecimento e expressão das emoções, manejo de situações que geram sofrimento e fortalecimento da autoestima.
Mas o trabalho do psicólogo não deve estar restrito à pessoa autista.
A família também precisa ser acolhida.
Receber um diagnóstico de TEA pode despertar sentimentos diversos nos familiares: medo, insegurança, dúvidas, angústias e, muitas vezes, a sensação de não saber qual caminho seguir. Nesse momento, informação, escuta qualificada e orientação profissional podem fazer uma diferença significativa.
A Psicologia pode ajudar a família a compreender que o diagnóstico não determina o futuro de uma pessoa.
Ele não apaga sonhos, capacidades, afetos ou possibilidades.
Ele representa uma informação importante para que sejam buscadas estratégias adequadas às necessidades daquele indivíduo.
UM OLHAR PARA ALÉM DO DIAGNÓSTICO
Durante muito tempo, pessoas autistas foram observadas principalmente a partir de suas dificuldades. Hoje, torna-se cada vez mais necessário ampliar essa perspectiva.
Precisamos reconhecer não apenas aquilo que precisa ser desenvolvido, mas também aquilo que já existe: talentos, interesses, formas particulares de aprendizagem, vínculos, criatividade, afetividade e potencialidades.
Não se trata de negar as dificuldades. Trata-se de não reduzir uma pessoa às suas dificuldades.
Cada indivíduo merece ser compreendido em sua singularidade.
Nesse contexto, a atuação do psicólogo precisa estar fundamentada em conhecimento científico, ética profissional, respeito à individualidade e compromisso com a promoção de qualidade de vida.
O profissional também pode atuar em conjunto com outros especialistas, construindo uma rede de cuidado que considere as diferentes necessidades da pessoa autista.
ACOLHER É PARTE DO CUIDADO
Quando uma família procura um psicólogo, muitas vezes não está procurando apenas respostas.
Está procurando alguém que escute sem julgar.
Alguém que ajude a transformar dúvidas em caminhos e angústias em possibilidades.
No universo do TEA, esse acolhimento pode ser especialmente significativo.
É preciso compreender que inclusão não acontece apenas quando uma pessoa autista consegue entrar em determinado espaço. Inclusão acontece quando esse espaço também está preparado para recebê-la, respeitá-la e reconhecer seu direito de existir exatamente como é.
Por isso, falar sobre autismo também é falar sobre respeito, acessibilidade, informação e combate ao preconceito.
NESTE DIA DO PSICÓLOGO…
Hoje, quando celebramos a Psicologia e todos os profissionais que escolheram dedicar sua trajetória ao cuidado com o ser humano, também celebramos cada história que pôde ser acolhida através de uma escuta profissional.
Celebramos as famílias que encontraram apoio.
As crianças que conquistaram novas formas de comunicação.
Os adolescentes que aprenderam a compreender melhor suas emoções.
Os adultos que encontraram caminhos para exercer sua autonomia.
E cada pessoa que, em algum momento, descobriu que não precisava enfrentar suas dificuldades sozinha.
Ser psicólogo é muito mais do que aplicar técnicas.
É saber ouvir aquilo que muitas vezes não consegue ser dito em palavras.
É compreender que por trás de um comportamento existe uma história.
Que por trás de uma dificuldade existe uma necessidade.
E que por trás de um diagnóstico existe, sobretudo, uma pessoa.
Neste Dia do Psicólogo, que possamos reafirmar o compromisso com uma Psicologia cada vez mais humana, científica, ética e inclusiva.
Porque cuidar da mente também é cuidar da dignidade, da autonomia e da possibilidade de cada pessoa construir sua própria história.
TEA não define uma pessoa.
O diagnóstico não limita sonhos.
E o acolhimento pode abrir caminhos que o preconceito jamais permitiria enxergar.
Feliz Dia do Psicólogo!
Vanessa da Cunha
Psicóloga


